quinta-feira, março 19, 2009

Enfim, um comentador!

Não há, nos jornais e restantes Media, "comentadores" portugueses.
Regra geral, não há alternativa: ou se é comentador ou se é português. O dom analítico, a vocação da síntese e a poupada ironia são alguns dos critérios de eleição dos comentadores que tendencialmente não abundam por quem tem passaporte luso... Claro que há excepções, apesar de tudo discutíveis.

Houve quem tivesse a ironia cruel de afirmar que Vasco Pulido Valente seria o mais “lúcido” (sic) comentador português. Discordo do lúcido, duvido do comentador, mas sublinho o português; escreve com fel, numa apagada e vil tristeza demasiado negra para ser real e demasiado grotesca para não ser castiça – mais português, morre-se, como dizia o saudoso Eduardo Prado Coelho. No que toca à arte do comentário, o nosso território é tradicionalmente ermo e desabitado. Quando vamos para o comentário, lá nos aparece a veia poética, lá tropeçamos no perfil de Bandarra – a metáfora e a profecia inundam o texto, que passa a ter vocação marítima e uma vaga tendência para a heteronímia. Perde-se o comentário e ganha-se outra coisa, sendo esta outra coisa, com qualidade e oportunidade variáveis, que mais abunda pelos Media de Portugal… Até que surgiu Rui Tavares.

Tem a qualidade rara do formulador. Expõe as questões desassombradamente, sem grandes pruridos mas com um raro e muito pascaliano esprit de finesse. Se dúvidas houvesse, então leia-se isto.

8 Comments:

Blogger Funes, o memorioso said...

Rui Tavares é capaz do melhor e do pior. Já vi dele crónicas brilhantes, já o considerei um indigente mental.
Durante algum tempo acreditei que o novo grande comentador seria Rui Ramos. Mas o seu fanatismo liberal aniquilou-o. Desde que começou a crise, anda um bocado calado.
Mas eu não sei porque estou para aqui a comentar o post. Eu não falo com quem prefere Prado Coelho a Vasco Pulido Valente, o mais lúcido dos comentadores mundiais.

7:24 da tarde  
Blogger Amil Neila said...

Pois é FilósoF, tive a felicidade de ler essa crónica em papel (ontem tive direito ao público) e uma amizade querida e que me dá saudade (não, não é gaja) faz-me mesmo chegar os seus textos BLITZ por e-mail depois de scan.
Discordo só do VPV e, digo-to pela vigésima quinta, pega nas crónicas antigas e vê no que deram as suas "profecias".
Para além disso, escreve depurado, sem flores desnecessárias, com uma prosa imediatamente reconhecível e sem medo de aproveitar a coluna toda, haja caracteres (e whiskey, do bom)!

8:20 da tarde  
Blogger DomingonoMundo said...

Este comentário foi removido pelo autor.

10:55 da tarde  
Blogger DomingonoMundo said...

Se o VPV diz uma coisa hoje e amanhã o seu contrário, é óbvio que acerta em 50%. Profecias assim também eu! O único elemento uniforme é a amargura, o luto, o fado versão oxford que o bezerrão destila!
Funes: O declínio do Público começa no desaparecimento de EPC e culmina no desaparecimento do Calvin. Já só um Rui Tavares nos pode salvar!

PS: O comentário anterior dizia a mesma coisa que este, e foi apagado numa experiência piloto. É que acabei de aprender a apagar comentários nas instruções deixadas por Funes, nos comentários ao seu último post. Ainda dizem que não se aprende nada nos blogues...

11:03 da tarde  
Anonymous everything in its right place said...

mas do que este blog precisa é de um poustador!
comentadores tem que chegue!

PS: a keyword era "bacali"

10:47 da tarde  
Blogger Marta said...

Vasco Pulido Valente escreve com o fel do prof. Funes. às vezes.
Por isso, lhe chama lúcido :)

Gostei de ler.

12:55 da manhã  
Blogger Funes, o memorioso said...

Desgraçadamente, Marta, tenho que confessar que é ao contrário. Sou eu que imito VPV, não o contrário.

12:10 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

precisamos de homens de acção...para comentadores já temos uma plebe medíocre bem habilitada para o efeito.

6:29 da manhã  

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